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CENTRO CULTURAL JUSTIA FEDERAL

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Principais Intervenções


Consolidação das fundações e controle do lençol freático

Executada mediante escavação manual e progressiva do subsolo, em área correspondente a 1/3 da edificação, com retirada de cerca de 600 caminhões de terra; construção de rede de drenagem para controle do lençol freático; laje de contrapressão e cortinas de estabilização ao longo dos alicerces antigos em alvenaria e pedra.

Reforço estrutural e remoção de madeiras enclausuradas

Em todos os pavimentos foram cuidadosamente demolidas as lajes pré-moldadas, jiraus que descaracterizavam espaços nobres, barroteamentos de piso em madeiras de épocas recentes; introdução de lajes especiais nervuradas, utilizando moldes plásticos como formas, dispensando o uso de madeiras, reduzindo os riscos de reinfestação de cupins.

Restauração da cobertura original

Reexecutada em estrutura metálica, com desenho tradicional de tesouras e mãos-francesas, recoberta com telha cerâmica tipo francesa. Foi introduzido, como garantia de proteção pluvial e de redução térmica, um sistema de isolamento, importado especialmente da Itália.

Projeto e restauro dos torreões

Os torreões estavam descaracterizados pelo uso do zinco e pela técnica construtiva existente, incoerentes com a tradição de artífices do início do século XX, que dominavam a tecnologia do uso do cobre. A restauração abrangeu um detalhado levantamento métrico, pesquisa de técnicas construtivas de telhados similares em estilo e materiais empregados.

Restauração das fachadas

Através da análise estratigráfica das camadas pictóricas e da composição granulométrica do revestimento original, foi possível identificar as camadas das pinturas e emassamentos, feitos em intervenções posteriores ao revestimento texturizado e pigmento original. A argamassa texturizada original, na cor areia, devido aos danos irreversíveis e de difícil solução estética, tais como o uso de cimento para alisamento da superfície, em larga escala, resultou na aplicação de um revestimento mineral, texturizado e pigmentado em tom próximo à cor original.

A recomposição dos ornatos foi viabilizada através de uma pequena oficina de estucadores, que fabricaram moldes e formas das peças originais, íntegras, para execução de novos exemplares para substituição das lacunas existentes.

Restauração dos espaços internos

Preservando ou resgatando a configuração original dos espaços, conforme documentação reunida através de pesquisa documental e iconográfica exaustiva, foram mantidos os elementos originais encontrados, tais como forros em gesso estuque e pisos. Os novos elementos e revestimentos introduzidos buscaram formas simples e de fácil compreensão para o discernimento entre o original e o contemporâneo, objetivando uma composição harmônica, para recomposição e modernização.

Procurou-se manter o exercício da humildade, para que o projeto de adaptação não se sobrepusesse e anulasse o projeto original, que continua sendo único e verdadeiro.

Foram produzidos, como na fachada, moldes em silicone de todos os ornatos e forros, não só para recomposição das lacunas existentes, mas como garantia quanto a possíveis riscos que envolveram a remoção provisória de alguns ornatos para modernização das instalações.

Restauração dos elementos artísticos e decorativos originais

Como item preliminar ao início das obras de adaptação e modernização do prédio, foram executadas várias prospecções estratigráficas visando identificar a existência de pinturas decorativas, apagadas pelo tempo, recobertas por diversas camadas de pintura. A idéia de preservá-las integralmente, mesmo sem o compromisso da decapagem total da parede na qual se inseria, norteou a orientação de que as adaptações para a modernização do prédio respeitassem ao máximo tais registros, de forma que, futuramente, sem prejuízo do funcionamento do Centro Cultural Justiça Federal, possa ser dada continuidade à decapagem de tais decorações parietais, raríssimos testemunhos do ecletismo ainda presentes na antiga Av. Central, hoje Av. Rio Branco. Várias delas foram encontradas, estando registradas através de pequenas janelas, onde contamos com a imaginação do observador para recriar no imaginário o que ainda não nos foi possível resgatar integralmente.

Previa-se, inicialmente, que o restauro artístico seria executado somente após a conclusão das obras de engenharia e instalações técnicas. Porém, a sedução que o Salão Nobre e as decorações reveladas pelas prospecções exerceram sobre o projeto determinaram a execução simultânea do restauro artístico de alguns elementos e das obras civis no prédio.

O Salão Nobre, os vitrais do 2º pavimento e as colunas da escadaria do 1º ao 3º pavimentos são resultados positivos da difícil tarefa de executar trabalhos de extrema delicadeza durante a transformação estrutural pela qual o prédio passou.

Outros serviços estavam previstos, porém, devido a questões financeiras, foram excluídos os forros estuques do foyer do antigo salão de sessões e a sala dos juízes, ambos no 2º pavimento.

Modernização das instalações

Com substituição integral e ampliação de capacidade das cargas técnicas, inclusão de sistema de ar-condicionado central de água gelada, elevadores hidráulicos especiais, de fabricação italiana, sistema de iluminação para exposições, câmeras de televisão, sensores de fumaça, detectores de presença nas diversas dependências e sistema integrado de detecção e combate a incêndios, o prédio foi totalmente adequado para a nova função. Além das instalações prediais técnicas, foram também executadas na antiga garagem as instalações cenotécnicas para o pequeno teatro projetado para 144 lugares, sendo 2 destinados aos deficientes físicos.

Criação do subsolo

Com base nas plantas do palácio arquiepiscopal, detectou-se a existência de um porão sob parte do edifício. Feitas as pesquisas preliminares, foi possível o aproveitamento de uma área de 2/3 do prédio, para criação de um subsolo, resultante também da necessidade de consolidação das fundações do prédio. Estas áreas foram criadas para abrigar compartimentos de instalações técnicas, vestiários e cantina para funcionários, camarins, depósito e sala de administração para o teatro, poupando as áreas dos pavimentos superiores para a atividade fim a que se destinava o imóvel.

Remoção e reaproveitamento dos ladrilhos hidráulicos e tábuas corridas

Foram classificados e fotografados todos os pisos originais existentes que, quando não removidos para restauro em oficinas, foram devidamente protegidos para evitar danos nas peças originais. Muitos deles, já em áreas totalmente descaracterizadas, estavam desfalcados em grande número, dificultando seu reaproveitamento. As peças em maior número e de excepcional qualidade, quando não era possível mantê-las no seu local original devido a exigências técnicas de projeto, foram remanejadas para áreas de igual importância e destaque. Destacam-se entre as peças mais importantes os ladrilhos hidráulicos do hall de entrada e os da escadaria do 1º pavimento.

Os pisos em tábua corrida foram desenhados em planta, numerados peça a peça, e restaurados, para a posterior recolocação no local de origem. Desta forma, também foi possível preparar e instalar toda a rede elétrica para alimentação das salas de exposição e demais salas administrativas.

Vitrais

Um dos primeiros elementos decorativos a serem removidos para evitar danos durante as obras civis, os vitrais foram mapeados, para registro das peças faltantes e identificação dos diversos tipos de cores e texturas. A busca por vidros similares, em depósitos de comercialização de peças antigas, foi decisiva para o preenchimento de diversas lacunas e reprodução de desenhos e pinturas temáticas sobre o tema "justiça".

Os vitrais do Salão Nobre e o da escadaria principal são de autoria de F. Urban e confecção da Casa Conrado, em São Paulo.

Ar-Condicionado

A opção de dotar todo o prédio de um sistema de refrigeração visava não só cumprir um dos pré-requisitos básicos para o funcionamento ideal das salas expositivas e conservação do acervo ali exposto, mas principalmente dotar o prédio de condições técnicas que garantissem sua preservação a longo prazo, sem a necessidade ou risco de adoção de soluções que prejudicassem a sua singular arquitetura ou seus elementos decorativos.

A adoção da opção de sistemas com máquinas independentes, para cada setor, além de economia no consumo, permitia soluções adequadas à disponibilidade de espaço para passagens de dutos e posicionamento dos equipamentos. A torre de refrigeração única, criada em um subsolo escavado no terreno, possibilitou livrar a cobertura de volumes indesejáveis que descaracterizariam a sua configuração original.

A instalação de refrigeração na histórica Sala de Sessões (atual salão nobre) exigiu infindáveis estudos de ordem estrutural para viabilizar a instalação das máquinas sobre o forro artístico, sem transmissão de vibração ou possíveis condensações no estuque decorado. Além disto, o posicionamento dos difusores foi definido de forma a não prejudicar a integridade e a leitura dos elementos artísticos, ficando imperceptíveis no conjunto.

Teatro

Âncora do projeto de restauro e adaptação do imóvel, a criação do teatro na antiga garagem sob o Salão Nobre, primeiramente, exigiu arrojo nas soluções estruturais para criação da estrutura de reforço e criação do subsolo, sem o qual seria impossível o total aproveitamento da área nobre para uso como centro cultural. Além disto, o deslocamento das colunas de aço, originais, ainda cumprindo sua função estrutural, possibilitou melhor distribuição e aproveitamento das poltronas do auditório. A estrutura portante da cabine de som e luz, piso da platéia e proscênio, integralmente em perfis de aço, são totalmente independentes da arquitetura original, mantendo a possibilidade de reversibilidade do espaço ou a alteração de seu uso, respeitando a integridade da estrutura arquitetônica original.

Clarabóia

A opção da execução de uma moderna clarabóia, de grandes dimensões sobre a escadaria principal, passa pela decisão de manter os espaços acrescidos na década de 30 e 40, no 4º e último pavimentos e de devolver a iluminação natural zenital ao grande prisma da escadaria principal. Desta forma, também preservaríamos das intempéries a circulação, que, anteriormente, servia ao terraço descoberto, em torno da original clarabóia central, de menores proporções, sobre a escadaria.

A opção de uma solução estrutural em aço, solta da arquitetura original, permitindo através dos vidros laminados a visualização dos torreões em cobre, aproximou o observador das cúpulas em estilo francês, anteriormente só contemplada à distância.


Acesso para pessoas com necessidades

Rampa de acesso para pessoas com necessidades especiais

Av. Rio Branco, 241 Centro, Rio de Janeiro / RJ. CEP 20040-009

Aberto de tera a domingo, das 12h s 19h. Tel. (21) 3261-2550

Visitas orientadas Tel (21) 3261-2552

Biblioteca aberta de tera a sexta-feira, das 12h s 17h

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