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Arquivo em entrevista: Jesse Nardel

JFRJ

Última modificação
18 Junho, 2026

 

Jesse Nardel

Foto do servidor Jesse Nardal

Jesse Nardel é servidor da Justiça Federal do Rio de Janeiro desde 1997, quando começou a exercer suas funções no antigo Arquivo Geral da SJRJ e lá permaneceu até 2004. O setor integrava o Núcleo de Documentação e Divulgação (NDDI), atual Subsecretaria de Gestão Estratégica (SGE).

Após um período em outras setores, retornou ao Arquivo em 2014 como gestor administrativo local e supervisor da antiga Seção de Arquivamento, numa atuação tão dedicada que acabou ficando conhecido como síndico de São Cristóvão.

Jesse nos contou um pouco de sua biografia e de sua atuação no Arquivo Geral. Ele lembrou do esforço que foi sua preparação para o concurso da Justiça Federal e da satisfação de seu pai quando recebeu o telegrama para assumir o cargo. “Tomei posse no dia 22 de dezembro de 1997, no gabinete da Dra. Maria Regina Rogerio Cosentino, na Avenida Rio Branco. Nessa época o Arquivo possuía apenas dois servidores.”

Como gestor administrativo local, atuou na abertura de chamados, principalmente ligados à infraestrutura. Tratava-se do edifício de uma antiga fábrica com 10 salões de grandes proporções e condições de trabalho precárias. “Por falta de estantes, em diversas ocasiões, tínhamos de empilhar amarrados e caixas com processos no chão."

Já em 2019, assumiu a Seção de Arquivamento - SEARQ, após a saída do antigo supervisor. Jesse acompanhava o trabalho da seção desde a gestão anterior e faz um balanço do período: “O controle do acervo era feito com planilhas que traziam a localização física dos documentos. As estantes eram numeradas manualmente, em um trabalho muito exaustivo."

Posteriormente foi implantado o sistema Apolo, que possibilitou o registro da localização física de cada processo, com base no mapeamento manual anteriormente realizado. Durante cinco anos, o arquivamento contou com suporte especializado prestado pela empresa ACTION-ITEC, por meio de equipe composta por uma arquivista e duas técnicas de arquivo.

Como o número de pedidos de arquivamento e desarquivamento era muito grande, não raro auxiliares de serviços gerais - ASGs participavam da tarefa. Jesse destaca a atuação de três deles: Nunes, Henrique e Eidjoberto. Dificilmente alguém desejava ser lotado no Arquivo Geral pelo fato de o trabalho envolver um esforço físico diário.

Atualmente, o acervo arquivístico da Seção Judiciária do Rio de Janeiro é gerido pela Coordenadoria de Gestão Documental - CDOC/SGE e está sob a guarda de uma empresa terceirizada. São cerca de 4 milhões de processos, incluindo o expressivo acervo histórico. Segundo Jesse, a entrada da Milano foi muito positiva principalmente quanto ao levantamento do acervo, ao identificar e corrigir inconsistências.

Antes disso era muito mais difícil o desarquivamento dos processos. Jesse se recordou do dia em que uma servidora e um estagiário chegaram a abrir 300 caixas para tentar localizar um processo, sem sucesso. “Hoje em dia só pontualmente não conseguimos dar um retorno.”

O supervisor também lembrou do período da retirada dos processos pela Milano - cerca de um ano - e do intenso trânsito de pessoas e paleteiras que transportavam as milhares de caixas. Saíam cerca de 1.400 caixas por dia. "Anselmo (coordenador da CDOC), Thamyris e eu fazíamos o controle da saída. A gente tinha que ter muito cuidado para não ser atropelado por uma paleteira em trânsito carregada de processos. Eram muitas pessoas envolvidas.”

Durante nossa conversa, a já conhecida gentileza do coordenador interino da CDOC se mostrou também na constante valorização do trabalho de todos que atuaram no Arquivo. Quando lhe perguntamos algo da memória da JFRJ que merecesse ser lembrado, Jesse apontou para o esforço de todos aqueles que se dedicaram à guarda dos processos antes da chegada da Milano, em especial do supervisor anterior, Eduardo. “Se o Arquivo conseguiu dar cada passo que deu antes da minha gestão, isso se deveu em grande parte à sua participação e aos seus esforços, a ponto de trabalhar até em fins de semana.”

Apesar de todas as dificuldades enfrentadas no antigo prédio, Jesse faz coro com outros servidores da CDOC e afirma, “tínhamos uma espécie de pertencimento.”

 

Foto do arquivo com várias caixas de processos

 

 

Foto de pessoas fazendo o transporte de processos

 

           

          

Foto do arquivo com várias estantes vazias